Mitos e verdades sobre a combinação entre sexo e álcool

A dobradinha beber e transar é rotina na vida do homem. Em viagens, isso só aumenta. Confira um guia para os recuerdos não se resumirem a micos on the road

Sexo e álcool

 (reprodução/internet)

Não importa o lugar. Na estrada, você vê mulheres diferentes, jamais imaginadas, e isso ativa sua libido. Você pode estar em um speakeasy no sul dos EUA ou em algum bar-terraço da Grécia em que vai dividir umas rodadas de cerveja ou coquetéis de gim com elas.

Ok, a ideia é encerrar a noite nos lençóis da gata, e aí entramos nós: transar depois de umas biritas merece atenção redobrada. Por exemplo, há uma crença de que o álcool, quando em baixas quantidades, melhora o desempenho sexual ou aumenta a libido. Verdade? Mito?

Aqui, mergulhamos na ciência para trazer a luz que vai garantir uma transa tranquila quando você estiver solto (e levinho) pelo mundo.

VERDADE: beber pouco dá mais tesão

Você sabe, equilíbrio pode ser um grande aliado em experiências novas. Uma trip bacanuda não se faz apenas de museus. Assim é com a bebida. Centenas de estudos mostram que doses “homeopáticas” de álcool ajudam a relaxar.

Um dos mais conhecidos foi publicado pela revista Nature. Ele indica que a substância abre um canal específico na conexão dos neurônios que resulta em uma depressão do funcionamento do cérebro. A isso, nós entendemos como relaxar depois de umas e outras. O risco: meter o pé na jaca, ou seja, o excesso de álcool pode atenuar a excitação sexual fisiológica.

“Isso pode ser explicado pelo fato de que as pessoas associam expectativas sexuais positivas ao álcool, já que beber sempre esteve associado à facilitação do comportamento e do desejo sexual”, explica Arthur Guerra, professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), em São Paulo.

O álcool também estimula diretamente a liberação de outros neurotransmissores como a serotonina e endorfinas que parecem contribuir para os sintomas de bem-estar – e isso está ligado também ao tesão. Ou seja, você pode acreditar que o álcool aumenta a excitação sexual e, sim, vai sentir mais tesão, mas fisiologicamente isso pode não ser observado.

Dados de pesquisas conduzidas pelo Centro Nacional para Abusos e Vícios em Substâncias (EUA) demonstram que beber causa mais desinibição. E você, eu, a gata do bar que você quer levar para a cama, todos interpretam as modificações corporais induzidas pelo álcool como mais tesão.

É psicológico, mas é real. E quando falamos em beber pouco, a recomendação é de – no máximo – duas latas de cerveja (330 ml) ou duas dose de destilados (30 ml) ou ainda duas taças de vinho (100 ml), segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

MITO: alcool melhora o desempenho sexual

Você já deve ter ouvido essa conversa no bar. Os brothers mandam umas biritas para “aguentar mais tempo” e, assim, demonstrar que são bons de cama para a mulherada. Na realidade, isso só é verdade em parte.

O álcool é um inibidor do sistema nervoso. Ele diminui a sensibilidade das extremidades do corpo. Agora, imagina qual extremidade ele também afeta. Lógico, com o seu amigão menos sensível aos estímulos do sexo, você vai notar uma demora muito maior para chegar lá – isso se você não broxar.

Então, cuidado! Um estudo de 2004, realizado por pesquisadores britânicos, identificou que 11% dos caras que bebiam com frequência e partiam para o ataque tinham dificuldades para atingir o orgasmo. O motivo: a desidratação no organismo prejudica a circulação na região íntima e aumenta o nível de hormônio angiotensina, associado a disfunções eréteis.

Pior ainda se você tomar todas. Doses elevadas prejudicam a ereção. Segundo cientistas, mais de 80% dos dependentes de álcool têm disfunções sexuais. Já com as mulheres, beber demais reduz a lubrificação vaginal. Aí, não dá, né? Literalmente.

VERDADE: secar o copo termina em sexo desprotegido

Faça uma pesquisa rápida em suas lembranças sexuais. Quantas vezes você foi para a cama sem camisinha? Destas, em quantas você estava embriagado?

“O álcool leva à diminuição da percepção de riscos e dificuldade na tomada de decisões. Assim, um dos maiores problemas decorrentes é ter relações sexuais sem proteção, o que aumenta os riscos de transmissão de doenças e gravidez indesejada, por exemplo”, alerta Guerra.

O álcool também pode aumentar a autoconfiança, o que daria mais tranquilidade para o cara na hora de transar. Mas lembre-se que quem vê cara não vê exame de sangue. Principalmente em um país diferente, em que você não conhece o panorama de doenças.

VERDADE: entornar o caneco detona a libido

Se você erguer muitos copos, vai acabar derrubando o mastro. Para um marinheiro que quer conquistar o mundo e fincar sua bandeira em diversos territórios, isso não pode acontecer.

“O álcool desacelera o corpo como um todo e faz com que os estímulos sexuais demorem mais tempo que o usual para despertar as sensações eróticas”, explica Laura Muller, psicóloga clínica e pós-graduada em educação sexual, de São Paulo. “Em alguns casos, essas sensações nem chegam a ser minimamente despertadas. A bebida em excesso amortece todo o corpo, e pode fazer o mesmo com o desempenho sexual masculino.”

Sim, para um bom rala e rola, o primeiro passo é a estimulação dos sentidos. Você olha aquela mulher espetacular, a imaginação vai longe e você acha que seus sentidos estão a postos, não? Não estão.

MITO: o tipo de bebida influencia na vontade de transar

Muitas amigas comentaram que ficam ligadas quando mandam duas doses de tequila. Não é pouca gente que acredita que algumas bebidas têm poder afrodisíaco. Mas isso é mito. O grande responsável pelo tesão delas (e o seu também) é, como já dissemos, o álcool.

“O tipo de bebida que a pessoa consome não é o fator mais importante, mas, sim, a quantidade e o padrão de uso. Assim, quem consumir grandes quantidades de uma bebida de baixo teor alcoólico terá praticamente o mesmo efeito se ingerir pequenas quantidades de uma bebida com maior teor alcoólico”, afirma Guerra.

Portanto, é importante ressaltar que uma dose de gim (50 ml) tem a mesma quantia de álcool que uma dose de tequila, vodca ou uísque. O que pode ligar os pombinhos poliglotas são os ingredientes de alguns drinques, que podem ser afrodisíacos, como pimenta ou infusão de ervas.

MITO: comprimido estimulante levanta o que a bebida derrubou

Primeiramente, é importante reforçar que o uso desses medicamentos é recomendado apenas para quem tem disfunção erétil (esperamos que não seja o seu caso, meu caro). Porém, sabemos que o uso recreativo de alguns comprimidos, como Viagra, Levitra, Cialis, entre outros, tem sido muito difundido, seja por diversão, curiosidade, insegurança ou pela crença de que esses medicamentos aumentam o prazer durante o ato sexual.

Em alguns países, a venda e distribuição desse tipo de químico é mais fácil. Existem, ainda, as versões falsas – produzidas e comercializadas de forma ilegal -, que podem levar a prejuízos ainda mais graves à saúde. Então é legal ficar esperto.

“De maneira geral, nota-se que o uso indevido e desnecessário desses medicamentos não traz benefícios, mas, ao contrário, pode promover efeitos adversos indesejáveis como dor de cabeça e priapismo [manutenção prolongada e prejudicial do tempo de ereção]”, finaliza Guerra. Em jovens, alguns estudos sugerem que, no longo prazo, podem até diminuir a fertilidade.