O proibido é mais gostoso

Para nossa colunista, ter um crush ou transar com colega de trabalho tem (excitantes) vantagens

carolPor Carol Teixeira

Sempre fui contra esse papo de que é melhor não se envolver com alguém da empresa. Não só acho uma delícia a tensão sexual no trabalho como acredito que estimula a produção: se você tem um crush onde trabalha, acorda mais disposto, traz consigo aquela energia da libido que o coloca em estado muito mais alerta do que se não tivesse ninguém que interessasse.

Você se produz, fica mais atraente, quer ser mais excelente no que faz se tiver alguém de quem esteja a fim como plateia para suas ações cotidianas. Do contrário, você estaria ali entediado, se distraindo com as redes sociais no celular, contando as horas para o almoço e, depois, para o fim do expediente.

Se flerte no trabalho já é interessante, sexo é mais ainda. Pense naquele hospital da série Grey¿s Anatomy (só eu acho hospital um lugar erótico?) ou nos casos de The Office. Acho que esses locais “sérios”, nos quais há uma suposta proibição, são muito mais propícios para a causação. O sexo da enfermeira e do médico na salinha escondida do hospital, por ser proibido, me parece muito mais excitante do que a obviedade de um sexo no backstage de uma banda num show, por exemplo (se formos considerar o meio mais libertino da música). Sexo no banheiro, sexo na escada, sexo dentro do carro no estacionamento do local que você trabalha, tudo com a possibilidade de alguém ver: vai me dizer que essas ideias não dão tesão? (Só atenção porque isso pode dar demissão!)

A revista Business Insider há tempos fez uma pesquisa na qual 54% dos participantes assumiram já ter feito sexo com alguém do trabalho. Claro, é uma hipocrisia fingir que isso não acontece. Mas o mais legal da pesquisa é que 9 entre 10 das pessoas que transaram com colegas dizem não ter se arrependido. Não sou muito de pesquisas, confio mais nos dados empíricos da minha própria vida ou das informações coletadas nos papos com meus amigos, mas estou total de acordo com o resultado dessa. Conheço mais pessoas satisfeitas por terem se envolvido com colegas do que arrependidas.

E transar com o chefe? Também não vejo problema. Nessa onda politicamente correta, de repente isso foi demonizado, eu sei. Mas, justamente por ter essa aura de proibição, eu acho mais excitante ainda. O pecado, o proibido, sempre vai excitar mais – inevitável efeito colateral da nossa cultura judaico-cristã.

Em um mundo tão sexualizado, em que supostamente tudo pode, nada mais erótico do que uma subversão numa área em que ainda há proibição. Então, para o bem do erotismo, continuem dizendo que não pode sexo no trabalho. E nós continuaremos fazendo.

Carol Teixeira é filósofa e escritora e tem o blog aobscenasenhoritac.com.br. Siga-a: @carolteixeira_