Os 10 mandamentos da pulada de cerca

Uma escapadinha de vez em quando pode ser bom para seu casamento. Ou não...

'Match Point' Movie Stills

 (Reprodução/Divulgação)

 

“A variedade é o molho da vida, que dá sabor a tudo.” A frase é do inglês William Cowper, escrita no remoto ano de 1785.

Ou seja, um tempo de inocência – sem sexting, WhatsApp, Facebook, Tinder, Ashley Madison…

Se já pensavam assim naquele século, o que dizer desta era em que a internet aumentou exponencialmente as ofertas no cardápio, com casos potenciais a um mero clique de distância? As respostas podem surpreender.

Por exemplo, você apostaria em gente infeliz na relação? Errado, segundo a antropóloga Helen Fisher, da State University of New Jersey, a maior especialista em adultério do mundo (bem, talvez depois do golfista Tiger Woods),  56% dos homens e 34% das mulheres que têm casos estão satisfeitos com seus pares.

 

A doutora Catherine Hakim, cientista social inglesa ligada à London School of Economics, é simpática à ideia da pulada de cerca.

Em seu livro The New Rules: Internet Dating, Playfairs and Erotic Power, ela defende que sexo recreativo fora do casamento pode ser bom e saudável e que um namorico ocasional pode revigorar um relacionamento e torná-lo menos propenso à separação.

Mas a pulada de cerca pode, também, ser um desastre completo, do qual você vai se arrepender eternamente. Como tudo na vida, é uma loteria.

Se você leva a sério o princípio de Oscar Wilde – que dizia ser capaz de resistir a tudo, menos às tentações – vale lembrar-se da lição do romancista americano Nelson Algren: “Nunca vá para a cama com alguém que tenha mais problemas que você”.

Abaixo, algumas dicas politicamente incorretas

giphy

 (Reprodução/Divulgação)

1. Homens gostam de mulheres que sejam loucas no sexo. Mas essas geralmente são loucas também fora da “moldura da cama”, como dizia Vinicius de Moraes. Tente não se envolver com stalkers, malucas e assemelhadas.

Sim, sabemos que isso diminui o potencial de diversão, mas reduz também a periculosidade.

2. Em um mundo onde todos levam uma câmera fotográfica no celular, seja discreto. Extremamente discreto. Neuroticamente discreto, aliás.

3. Evidências físicas devem ser eliminadas. Escritos, cartões, lembrancinhas. Lembre-se do célebre vestido azul da Monica Lewisnky. Sem provas, o caso contra você é meramente circunstancial. Tribunais são mais tolerantes em assassinatos sem corpos.

4. Seja objetivo quanto ao seu propósito. Diga de cara que está buscando sexo divertido – sem compromissos, sem telefonemas no dia seguinte, sem flores, sem selfies, sem cutucões no Facebook.

5. Não fale mal de sua relação atual. Não culpe sua parceira pela escapada. A outra parte pode pensar que tem a missão de resgatá-lo da infelicidade matrimonial. A estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções.

6. Se você é poderoso – rico, famoso, desejado – corre o risco de estar sendo usado como troféu. Nada contra. Como dizia Aristóteles Onassis, todo o poder do mundo não serviria para nada se não fosse pelas mulheres. Mas lembre: troféus servem para ser exibidos.

7. Mulheres falam. Com o psicólogo, com a melhor amiga, com o cabeleireiro, com parentes. Cheque se nenhum dos objetos dessas confidências orbita seu planeta doméstico.

8. A mulher ideal para uma escapadela é aquela que tem tanto a perder quanto você se tudo for descoberto.

9. Sabe aquela piada do cara na ilha deserta com a… (insira aqui o nome da sua fantasia de predileção)? Depois de um mês transando com a moça, ele pede à náufraga que se fantasie de homem – só para poder contar o caso para outro cara.

Pois é, a piada funciona porque tem base na realidade. Todos nós queremos contar sobre uma grande conquista. Os ingleses criaram uma regra perfeita: “Um gentleman não beija e sai contando”. Simples assim. Revogam-se as disposições em contrário.

10. Caso seja descoberto, negue. Negue sempre. Se ela disser que em caso de admissão você será perdoado, negue com mais veemência ainda. É uma cilada, Bino.