Por que algumas massagens podem fazer sua relação pegar fogo

Essa é uma alternativa que não exclui sexo — ao contrário, a transa acontece com mais qualidade

The Client List

 (The Client List/youtube)

Há mais de 20 anos descobri os prazeres de uma boa massagem. Comecei com shiatsu, uma vez na semana, para atenuar dores musculares advindas das minhas tentativas esportivas.

Mais que de psicanalista, fiquei dependente de massagista.

Além de colocar minha coluna no lugar, aliviar a dor no meu ciático e relaxar a minha musculatura, eles me escutam, hidratam minha pele e colocam meu corpo num colchão vibratório que é uma loucura de bom.

Há quase uma década conheci o paraíso. Um spa zen a 40 quilômetros de São Paulo. Lugar aprazível, decorado com bom gosto, somente 18 apartamentos.

Comida vegetariana saborosíssima e o principal: massagem. De todos os tipos: ayurvédica, shiatsu, tibetana, tailandesa, clássica, reflexologia seguida de escalda-pés.

Cada sala é devidamente decorada com panos indianos, velas, música relaxante e uma maca convidativa.

Viciei. Fico meio estressadinha e já corro para lá na esperança de reequilibrar minhas energias. Toda vez que acaba uma estada chego a querer vender tudo e passar boa parte do resto da minha vida nesse lugar.

Minha massagem preferida é uma chamada metabolismo: com movimentos relaxantes, óleo de gergelim aquecido vai sendo delicadamente despejado por toda a pele.

Com essa terapia, entro num estado lastimável de alienação zen. Por vezes crio pensamentos nada politicamente corretos, nos quais eu sou um tipo de rainha do Egito sendo besuntada por um escravo da minha corte.

Aquela mão delizando pelo meu corpo, enquanto o óleo escorre na minha pele, é algo simplesmente delicioso.

É claro que dá tesão. Óbvio.

Mas o massagista não tem nada com isso, portanto merece respeito e recato. Mas que dá, ah, isso dá.

Não é um tesão direcionado a ele, mas algo corporal, natural, que depende do que você quer curtir naquele momento. Para quem faz sexo regularmente, tudo acaba bem. Você sente aquele tesãozinho, curte a sensação, dá uma viajada e o guarda para si.

No começo, puxava assunto trivial para quebrar a tensão e mostrar tranquilidade.

Agora não abro mais a boca, me entrego e só seguro gemidos e as profundas inspirações para não constranger os massagistas.

Tem dia que acabo dormindo e até babo um pouquinho na maca. Depois que a massagem acaba e eles saem da sala, me estico toda aos pouquinhos e me levanto d-e-v-a-g-a-r.

Costumo levar meu marido ao spa. Não tenho um pingo de ciúme quando ele entra na salinha com uma das massagistas.

Acho até bom, pois me poupa um trabalho que não tenho paciência de fazer com toda categoria. E ele fica pronto. Feliz. E a gente dorme agarradinho na mais profunda paz depois de fazer um tipo de sexo zen.

Que tal pensar nisso com a sua parceira? Nenhum dos dois precisa saber que o massagista dela era gostoso ou que a mão da sua terapeuta te encheu de tesão. Guardem a sensação para vocês. Mas depois aproveitem no quarto, só os dois.


*Ana Canosa é psicologa clínica, terapeuta e educadora sexual e acredita que as massagens fazem bem para o corpo, a alma e para o sexo.

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