Por que elas ficam lubrificadas mesmo quando não estão excitadas

Ana Canosa, nossa colunista e psicóloga sexual, mostra que excitação subjetiva é a chave para a sexualidade feminina

Tesão mulher

 (Pixabay/Reprodução)

Um amigo meu (aliás, as conversas que tenho com meus amigos sobre sexo são ÓTEMAS!) contou que cueca apertada pode provocar ereções fisiológicas desavisadas, assim como a bexiga cheia. “Imagina, Ana, paciente se derramando aos prantos, eu supersensibilizado, segurando uma lágrima, quando uma ereção começa a acontecer porque eu estou com vontade de fazer xixi.”

Por sorte ele tem uma mesa que protege visualmente o seu genital de seus pacientes, o que lhe poupa constrangimentos dessa natureza.

Mulheres também podem ter reações físicas de excitação que não estão ligadas ao desejo.

Essa resposta de lubrificação a um estímulo sexual não é na maior parte das vezes mecânica, tipo calça jeans justa, mas sensorial — e não necessariamente está ligada às suas preferências sexuais.

Imagine um homem, heterossexual, assistindo a uma cena de sexo que não está relacionada com sua orientação sexual, como dois homens transando.

Provavelmente, sem se sentir excitado, ele não terá uma ereção.

Agora, mostre dois gorilas fazendo sexo para uma mulher: mesmo sem sentir-se excitada, ela pode ter lubrificação, o que não significa que ache linda a cena e resolva se mudar para a floresta.

O corpo respondeu de maneira mecânica. Por isso o contexto sexual, mais ligado ao erotismo, tem tanta importância para o sexo feminino: você pode tocar pontos erógenos no corpo de sua parceira e buscar seu conhecido termômetro da prontidão e dar com os burros n’água.

Mesmo que a vagina dela esteja lubrificada, ela pode não estar envolvida. Prefira então guiar-se por sussurros, olhares e outras reações corporais.

Não que nós, mulheres, também não tenhamos motivações fisiológicas para dar o start em nossa resposta sexual.

Tem dias que, muito provavelmente por ação hormonal, a gente pode ver um sujeito na rua e pensar: “Hummm, delícia”.

Pode ser que ele seja um tipo físico que nos agrade, que esteja vestindo uma camisa que nos lembre algum personagem sensual, ou nada disso.

Foi, passou. Como no caso da minha colega, mulherão, que estava no Uber outro dia pensando na vida quando a nuca do motorista, meio suadinha, despertou pensamentos eróticos inenarráveis aqui.

“Mas você é tarada em nuca?”

“Não.”

“E ele era um tipo físico de seu agrado?”

“Hum, nem sei.”

Pois é, mergulhada em sua subjetividade particular e com um aditivo hormonal, uma nuca suadinha pode abrir as portas de uma realidade paralela, que não necessariamente culmina em sexo.

É quase como um mapa astrológico: quando os planetas se alinham, o caminho se abre.

E se as mulheres se esforçam para estimularem as objetividades masculinas (como roupas sexy, sapatos altos e práticas sexuais), nada mais justo que você ajude a iluminar o mapa sexual da sua amada.


Ana Canosa é psicóloga sexual e acredita que sexo e afeto são dimensões constitutivas da vida humana.

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