Sexo é bom. Ponto

Julgar a moça pelo desejo sexual e esperar puritanismo são faces da mesma moeda: a do machismo

Um tempo atrás rolou uma polêmica no programa Altas Horas, da Globo, na qual a cantora Anitta expressou sua opinião sobre as mulheres, dizendo que elas não estavam “se dando ao respeito”, o que tornava até compreensível certas atitudes do homem em relação a elas. A cantora Pitty, que participava do programa, revidou, revoltada, dizendo que a mulher podia fazer o que quisesse, o homem não tinha que achar nada. Concordo totalmente com Pitty e fico chocada com o fato de que ainda hoje alguém condene moralmente uma mulher por alguma liberdade sexual.

Não sou daquelas feministas ferrenhas, lido de forma mais branda com o tema e acho que minha maneira de afirmar meu poder como mulher está mais na forma como ajo e me imponho do que no meu discurso ou em alguma bandeira levantada. Mas perceber que até mesmo mulheres ainda condenam uma mulher por uma atitude mais libertária me assusta.

Outra coisa que me espanta: aquelas que usam o sexo (ou a ausência dele) como jogo de poder. Não transar para conseguir que o cara a respeite (?), não dar para conseguir ficar mais vezes com o cara e ter um relacionamento mais “sério” ou para manipular o cara para algo maior que ela queira. O que, olhando por outro prisma, seria o mesmo que considerar o sexo como recompensa para o cara que fizer o que ela quiser. Sério que esse é o papel do sexo? Uma coisa é cada um ter seu tempo (ninguém precisa sair transando com todo mundo de primeira ou acasalando com vários numa noite se não quiser), mas usar isso (racionalizar o timing do momento da transa) como moeda de troca é das coisas mais patéticas que a sociedade machista botou na cabeça das mulheres. Agir dessa forma é ser complacente com essa máscara de mulher-para-casar que tentaram nos colocar ao longo da história.

E a mulher que dá? Essa é a mulher que goza, meu amigo. Ela é aquela que transa quando tem vontade, que fala se está interessada no homem, que não fica que nem princesinha obsoleta (e irreal) esperando ser cortejada ou se controlando para dar na “hora certa”. Quanto mais livre ela é sexualmente mais prazer ela se permite sentir, mais sincera ela é com ela e com você e, com tanto desprendimento, melhor na cama ela é. Sabina, do livro A Insustentável Leveza do Ser, as libertinas personagens de Milo Manara, de Bataille ou a escritora Anaïs Nin. Todas mulheres livres que colocam o sexo onde ele deve estar. Essas sim deveriam ser exemplos.

Pense duas vezes antes de condenar uma mulher que “não-se-dá-ao-respeito”. Essas são justamente as que se respeitam e agem de acordo com suas vontades e reais desejos. Não se respeitar é usar essa coisa tão poderosa e transcendente que é o sexo como uma mera moeda de troca.

Carol Teixeira é filósofa e escritora e tem o blog aobscenasenhoritac.com.br. Siga-a: @carolteixeira_