Sexo no trabalho: quando o prazer está na mesa ao lado

Para fazer parte do time que se dá bem durante o expediente (e depois dele), é preciso saber lidar com as consequências que esse envolvimento pode trazer

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 (reprodução/Getty Images)

Carlos, diretor de logística de uma grande empresa, só tinha olhos para Marta, gerente de área. A relação era profissional, mas o interesse dele só aumentava: ela era inteligente, pró-ativa, bonita e, para completar, passava mais de oito horas diárias por perto.

Foi na festa de fim de ano da empresa que Marta deu sinais de interesse mútuo. Na semana seguinte, saíram pela primeira vez.

“O relacionamento entre pessoas da mesma área era proibido, mas resolvemos ir contra as regras. Eu tinha medo de demonstrar intimidade no dia a dia ou de ser flagrado em algum lugar fora da empresa, mas nosso envolvimento ficou sério e encaramos o desafio”, diz Carlos Prilli, 38 anos, de São Paulo.

O resultado dessa relação foi um pedido de casamento e um de demissão, exatamente nessa ordem. Carlos deu um anel a Marta e ela, por sua vez, pediu para sair da empresa, não sem antes recolocar-se no mercado.

O sentimento falou mais alto nesse caso, mas o assunto é recorrente e mais complexo do que uma história que deu certo. Afinal, a máxima “onde se ganha o pão não se come a carne” tem razão de existir.

Carreira e tesão

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 (reprodução/Getty Images)

Você, provavelmente, já se interessou por uma colega de trabalho. Não importa se é solteiro, namora ou é casado há anos, nem o que você fez ou fará com essa atração. Sentir tesão por uma colega de trabalho é mais natural do que você imagina e tem a ver com seu próprio dia a dia.

“Normalmente, passamos mais tempo junto às pessoas com quem trabalhamos do que com a nossa família. Com essa convivência, os objetivos de vida em comum e as afinidades costumam aflorar. Dessa forma, parceiros profissionais acabam sob a mira sentimental”, diz Roberto Debski, psicólogo de São Paulo.

Como resultado dessa proximidade surgem sentimentos como admiração, amizade, atração, desejo e tesão. A partir daí, os encontros nos corredores da empresa ficam mais recorrentes, as desculpas para passear pelo departamento só para encontrá-la mais repetitivas, os convites para as happy hours mais insistentes… até que o desejo ultrapassa o horário de expediente e invade seu tempo em casa.

Já se pegou stalkeando as redes sociais da sua musa? Você foi fisgado.

“Atualmente, o relacionamento dentro do ambiente de trabalho é encarado com naturalidade, até porque já é sabido que muitos casais se formam dentro de centros empresariais. Mas vale ter em mente que as corporações aceitam relacionamentos quando o casal se comporta adequadamente sob a cultura corporativa”, afirma Luciana Tegon, headhunter, executive & positive coach pela Sociedade Brasileira de Coaching, de São Paulo.

Fofocas, overdose de convivência e ciúme podem fazer parte da rotina de um casal dentro da firma. “Lidar com as questões profissionais decorrentes da relação afetiva é um desafio. Principalmente quando é apenas um desejo momentâneo que se concretizou em uma ficada, por exemplo. Ao terminar, a convivência entre os dois pode ser difícil”, diz Debski.

Por isso, antes de investir em um affair, uma transa ou um relacionamento sério dentro do ambiente profissional, entenda o que está em jogo e descubra como administrar a situação da melhor maneira possível.

Hierarquia e conflito de interesses

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É provável que a mulher mais interessante da empresa esteja próxima a você – há grande chance de ela ser sua chefe, parceira de equipe ou sua subordinada (lembre-se que mais tempo juntos é igual a mais interesses em comum).

Obviamente, a maioria das empresas não vê com bons olhos a relação entre duas pessoas com algum nível hierárquico entre elas. O motivo é exatamente a suspeita do que está por trás dessa relação: é sentimental ou um atalho para uma promoção?

“Se um diretor está se relacionando com uma subordinada, é dever dele esclarecer à empresa os gaps de desenvolvimento que a subordinada teve. Por outro lado, no papel de companheiro, ele pode misturar o sentimento e distorcer a avaliação da garota para que ela seja bem-sucedida”, diz Ana Pliopas, sócia do Hudson Institute of Coaching no Brasil.

O inverso também pode acontecer. “A solução é buscar uma recolocação, se não fora da empresa, que seja em outro departamento ou com outro gestor”, explica Ana. Se o que está em jogo em sua cabeça é apenas one night stand, pense mil vezes se vale a pena correr o risco – a garota pode se apegar e querer algo a longo prazo.

Individualidade e excesso de convivência

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Marcos começou a sair com Mariana. Ele é gerente administrativo e ela, analista de marketing. Sem questões de hierarquia, zero conflitos de interesses. Apenas um relacionamento que começou dentro da empresa.

O problema é que Marcos não sabia qual o caminho que aquela relação ia tomar, e encontrar Mariana toda hora passou a incomodar. “As coisas começam a se complicar porque você está com a pessoa no fim de semana e na segunda ela está lá, de novo, sempre por perto”, explica Marcos Caetano, 36 anos, de São Paulo.

Esse tipo de relação tem, sim, pontos positivos como companheirismo dobrado, interesses mútuos e assuntos em comum para desenrolar uma conversa. Porém, exige maturidade de ambas as parte. Afinal, quanto mais tempo juntos, mais emoções ambíguas estão envolvidas: parceria, ciúme, intimidade, insegurança etc. É preciso ter jogo de cintura.

“Eu não soube o que fazer. Comecei a me afastar de Mariana sem dar explicações e logo estava investindo em outra mulher dentro da empresa. O clima entre nós ficou pesado e a convivência diária só piorou as coisas”, diz Marcos.

Intimidade e assédio

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A bancária Camila Martins, 30 anos, de São Paulo, começou a receber ligações de um diretor da mesma área. O primeiro convite foi para tomarem um café. Ela aceitou, acreditando que o assunto era corporativo. Conversa vai, conversa vem, e nada profissional foi dito.

Depois, e-mails e outros convites chegaram com frequência. Ela, uma subordinada, não sabia como lidar. “A situação é complicada por que é difícil dizer ‘não’ a um superior. Ao mesmo tempo, é pior ficar de conversinha com o chefe”, revela Camila.

Depois de uma reflexão, ela começou a negar os convites. Junto a isso, foi ao RH e pediu para mudar de área. No caso de Camila, ela não denunciou o diretor e conseguiu uma recolocação, mas a situação poderia ter se complicado para o lado dele.

Qualquer comportamento considerado abusivo, humilhante, constrangedor e repetitivo, quando há relação de subordinação entre as partes, pode ser considerado assédio. Por isso, antes de começar as investidas, tente descobrir se a garota está disponível, se corresponde às indiretas, se mantém contato físico enquanto conversam… Leia antes os movimentos que a linguagem corporal dela expressa.

Recursos Humanos e sexo

Tesão e paixão à parte, nem toda empresa aprova o relacionamento entre dois funcionários. Atualmente, aceitar esse tipo de envolvimento é um grande avanço corporativo – a maioria das companhias suprime essa prática.

“Apesar de as empresas encararem o assunto de maneira mais leve, ainda existem lugares onde essas relações são vetadas”, diz Rudney Junior, sócio da Br Talent. 

O primeiro passo, antes de assumir um compromisso e anunciar ao seu superior direto, é saber quais são as regras determinadas pelo RH da empresa. “Normalmente, mesmo em locais que aceitam relacionamentos, não são permitidas manifestações de afeto em público. Quando descumpridas, pode acarretar em punições, advertências ou até demissão por justa causa”, explica Ana.

Da mesma forma, discutir a relação não é aceitável em ambiente de trabalho. Evite assuntos da intimidade; toques ou carinhos; brigas ou alfinetadas. Além de alimentar a rádio peão com as fofocas de corredor, essas atitudes podem comprometer a imagem do seu gestor e da equipe.

Profissionalismo e emoção

Seus interesses pessoais podem ser levados em consideração, mas nunca devem falar mais alto do que sua postura ética, seus objetivos e comprometimento profissional.

“Há seis meses, uma funcionária de outra área começou a puxar papo comigo. Logo eu reparei que ela tinha segundas intenções e, confesso, gostei da ideia. Um dia, na escadaria do prédio da empresa, ela me encontrou e me colocou contra a parede literalmente. A adrenalina e o tesão tomaram conta de mim.”

“Isso se repetiu mais uma, duas, cinco vezes. Até o dia em que eu esqueci uma reunião importante, pois estava mais preocupado em responder as mensagens dela. Foi aí que percebi que misturar prazer e trabalho pode ser uma boa ideia, mas os limites precisam ser muito bem traçados”, diz Daniel Carmoni, 36 anos, de São Paulo.

 

Etiqueta Profissional

É difícil ser racional quando bate a química e o tesão é correspondido, mas ser prevenido nunca é demais.

  • Faça o approach fora do trabalho. Happy hours são boas para tentar uma sondagem e uma aproximação. Seja sutil e use o encontro entre colegas para chamá-la para jantar no dia seguinte.
  • Evite encontros fortuitos dentro da empresa. Estacionamentos e escadarias estão fora de cogitação como lugares para dar um amasso. Eles são tentadores, mas também altamente vigiados.
  • Limite-se na quantidade de mensagens durante o expediente. Receber um WhatsApp durante uma reunião, por exemplo, pode desconcentrá-lo e prejudicar seu rendimento e o da garota.
  • Controle-se durante as festas de confraternização, como as de fim de ano. Vocês estão ali para se divertir, mas lembre-se que o dia seguinte vai chegar. Por isso, mantenha-se na linha, beba dentro dos limites e, se ficar com alguém, vá embora antes de as coisas esquentarem. Acompanhado ou não.
  • Nunca se esqueça que telefones (ramais), e-mails ou qualquer outro meio de comunicação da empresa são ferramentas de trabalho. “As corporações têm acesso ao conteúdo de e-mail dos funcionários, mas ninguém se lembra disso”, explica Ana. Um bom critério para saber se a comunicação por e-mail é adequada é imaginar como você se sentiria se o conteúdo daquela mensagem se tornasse público.