Tudo o que você precisa saber sobre clitóris

Um dossiê sobre o que realmente importa a respeito de tal botão mágico, para garantir o prazer dela e, portanto, também o seu

Mulheres ensaio de Giangiacomo Pepe

 (Giangiacomo Pepe/Revista VIP)

Só sobre a globalização , a psicanálise e a reforma agrária escreveram-se mais bobagens do que sobre o clitóris.

Mas acabou o besteirol, agora vamos falar sério.


• O que é

concha clitóris

 (Reprodução/Divulgação)

Mitos e lendas – Há quem diga que o clitóris não passa de uma “ervilha nervosa” oculta pelos grandes e pequenos lábios vaginais.

Como seu tecido é da mesma natureza daquele do pênis (diz-se que é o seu “análogo embriológico”), o clitóris foi considerado, até o século passado, uma espécie de projeto de pênis: tem uma estrutura muito similar, mas disposta de forma diferente.

O que se diz – Um dos legados do feminismo foi a descoberta (atordoante, para alguns) de que o clitóris não é apenas essa pequena ervilha sensível entre as pernas.

Ele tem estruturas tão complexas e tanto potencial elástico quanto o pênis, o que o promoveu de uma pequena saliência a um nobre sistema de órgãos.

Mas parte da sociedade médica não reconhece o clitóris como esse novo “sistema” e poucos estudos são feitos pelo mundo para comprovar as teorias anatomofisiológicas que as feministas defendem.

A verdade – Pouco importa, na prática, o conceito médico do clitóris. Você só precisa saber que ele existe, onde fica e que, se não souber manuseá-lo, dificilmente presenciará um orgasmo. É uma questão de sobrevivência sexual.


• Onde fica

 (Pxhere/Reprodução)

 

Mitos e lendas – Ao contrário do que aquele filme clássico da pornografia mundial mostra, ele não fica na garganta. Nem tampouco obscuramente protegido pela parede vaginal (este é o ponto G).

O que se diz – Saca a vagina? É fora dela. Sabe aqueles pedaços roliços de carne circundando a entrada da vagina, que parecem lábios (e que receberam o incrível nome de “lábios”)?

Então, quando os pequenos lábios se juntam, na ponta daquele triângulo de pelinhos pubianos, dão nele. Sutil, discreto, diminuto. Mas explosivamente promissor.

A verdade – Saber onde ele fica não basta. É preciso saber quando e como atingi-lo. Não vá direto ao pote, sem antes ter percorrido parte da geografia feminina.

Acariciar o clitóris é fundamental para o orgasmo, mas, se for o primeiro (ou mesmo o segundo) objeto de seus afagos, vai acabar com o clima em vez de preparar o terreno.

Lembre que, antes de convidar a vizinha para tomar champanhe na sua cama, é preciso conversar um bocadinho na porta do elevador, depois pedir uma xícara de açúcar emprestada, daí…


• Por que existe

Nicole Wolfensberger (Crédito: Gabriel Wickbold)

Nicole Wolfensberger (Crédito: Gabriel Wickbold) (Gabriel Wickbold/Reprodução)

Mitos e lendas – Desde que as mulheres se tornaram bípedes eretas, o ato sexual se complicou.

Já que elas não ficavam mais dando sopa de quatro, era difícil para o macho “engatar o vagão”. Então a mãe natureza tratou de aperfeiçoar um dispositivo que, se bem friccionado, dava um tesão delicioso na cópula.

Uma espécie de prêmio pelo trabalho de deitar e escancarar as pernocas abrindo passagem pros peludões uga-uga.

O que se diz – O fato de possuirmos um polegar opositor (que nos permite segurar com firmeza os objetos e manuseá-los de modo refinado) e um tálamo desenvolvido (aquela faixa que divide o cérebro em duas porções, que, por sua vez, se subdividem em estruturas com funções específicas) diminuiu a orientação exclusivamente procriativa do ato sexual.

As fêmeas não buscam nos machos apenas bons espermatozóides, mas também quem possa manuseá-las com maior destreza e fazer um cafunezinho após expelirem seus cromossomos.

Por isso, não maldiga o feminismo. A culpa é do polegar opositor.

A verdade – O clitóris foi inventado para as mulheres não repelirem os homens. Suspeitando que elas evoluiriam mais do que eles, a natureza deixou em stand by esse botãozinho de entrada: toque a campainha (direito) e seja bem-vindo. Assim a continuidade da espécie ficou garantida.


• O falso diminuto

Mitos e lendas – Por muito tempo (milhares de anos), o clitóris foi considerado um pequeno pênis oscilante.

Seu potencial orgástico sempre foi conhecido pelos orientais, pois o próprio Kama Sutra ilustra o êxtase da mulher enquanto seu parceiro estimula esse pequeno feixe de nervos.

Algumas tribos da África subsaariana ainda mantêm a prática de extirpá-lo, como forma de manter apenas a função procriativa do sexo e o controle sobre as mulheres, esses seres endiabrados que insistem em ter prazer.

O que se diz – A literatura médica ocidental do século 18 tratou de classificá-lo como uma pequena saliência, do tamanho de uma ervilha, sensível mas sem função específica.

Estudos médicos trataram do tema com tanto obscurantismo que era praticamente impossível atribuir importância ao clitóris.

Apenas a partir da década de 60 ele voltou a ser investigado com interesse científico, e porque médicas feministas o consideraram fundamental (para quem queimava sutiã, até que elas foram bem úteis).

A verdade – Ervilhinha nervosa é a mãe. Esse “grão” visível a olho nu é apenas a “glande” do clitóris (a gente também tem, lá lá lá !).

A extensão do tecido clitoriano (chamado “erétil”) fica entre 9 e 13 centímetros (no Japão, passaria facilmente como pênis) e com isso estamos quase empatados: nós, mulheres, também temos cabeça de baixo e ereção.


• Contrações involuntárias

porno-sexo-vip-2

 (Divulgação/VIP)

Mitos e lendas – Dizem que a parede da vagina se contrai ritmadamente cada vez que a mulher chega ao orgasmo. Dizem, também, que essa contração existe para massagear o pênis e fazer o homem ejacular.

Isso permite que o macho libere seu esperma e garanta, dessa maneira, a perpetuação da espécie. Ou seja: segundo a teoria evolucionista, a mulher só goza para ajudar o homem a gozar também, e para arrancar dele aquilo que realmente interessa nessa história: herdeiros e pensão alimentícia.

O que se diz – Quando o clitóris é estimulado, ocorre uma série de alterações físicas e químicas no organismo. O cérebro libera na corrente sangüínea diversas substâncias químicas sexuais e hormônios que causam sensações agradáveis.

As células nervosas de toda a genitália feminina ficam excitadas, os seios aumentam de tamanho e o clitóris se intumesce.

Se houver continuidade dessa estimulação, os músculos e ligamentos genitais se contraem, puxando a glande (do clitóris) para trás, e ele fica mais exposto e ainda mais sensível, até causar um afluxo de sangue tão intenso que toda a parede vaginal se contrai justamente para expulsar parte desse sangue e recuperar o estado normal desses tecidos. Isso é o orgasmo.

A verdade – A vagina se contrai quando a mulher tem um orgasmo. Mas essas contrações são, na verdade, o sinalizador indispensável para que o homem não goze antes da gente.

Aquela tremedeira vaginal serve para dizer: “Pronto, você já cumpriu o seu papel, libere logo seu esperma no meu duto receptor”.

Mas, como o gênero masculino não prima pela sensibilidade , apelamos para gritos e urros para dar o sinal verde.


• Mar de alegria

Mulheres e o sexo casual

 (reprodução/Getty Images)

Mitos e lendas – Em tribos onde o clitóris é extirpado, acredita-se que ele tenha o poder de desencaminhar uma mulher.

Aquela que sentisse toda a abundância de sensações deliciosas vindas dessa estimulação dificilmente se contentaria com um homem que não a estimulasse sempre. A monogamia acabaria. E a monotonia também.

O que se diz – Uma das funções do clitóris é ativar a lubrificação da vagina. Não que ele secrete alguma coisa, mas, quando estimulado, aciona as glândulas responsáveis pela produção de gelzinho natural (embora o toque no seios, na nuca e em outras partes do corpo possa cumprir o mesmo papel).

E apenas numa vagina bem lubrificada os espermatozóides são capazes de nadar, até atingir aquele lindo e fecundíssimo óvulo.

A verdade – A lubrificação vaginal existe para atenuar a sensação de arrombamento que sentimos cada vez que nossa porção receptora entra em ação.

E para que os homens acreditem que estão de fato agradando. Ou seja, é um recurso da natureza para driblar a eventual insegurança masculina.


• Incontinência sexual

 (Greencamp/Reprodução)

Mitos e lendas – Tem médico que jura por Deus que é ejaculação feminina. Outros, mais céticos, defendem que a mulher relaxou tanto a musculatura que fez xixi.

O que falta é uma análise conclusiva da substância em questão (esse abundante gelzinho natural que algumas felizardas liberam quando gozam).

O que se diz – Há registros de casos extremos, em que a mulher chega a liberar 50 ml de líquido gozoso (vamos chamá-lo assim, pois alguns autores se referem a ele como “fluido prostático feminino”, outros como “fluido transparente e alcalino pós-orgasmo” etc.).

Essa “ejaculação” pode variar de uma gota a um quarto de xícara, mas é melhor não se preocupar muito com isso. Nesse caso, quantidade não quer dizer qualidade, e “encharcado” não quer necessariamente dizer que tenha sido mais gostoso.

A verdade – Tem mulher que ejacula. Algumas felizardas produzem tanta secreção gozosa que até parece incontinência urinária. Mas, exceto em casos patológicos, não é.

Uma das hipóteses é que se trata da secreção das glândulas de Bartolin, que entram em atividade no momento em que a mulher recebe estimulação sexual.

Elas continuam a secretar esse lubrificante durante a transa e podem liberar um extra quando o orgasmo é muito intenso, por conta de uma produção descontrolada.