Papo VIP com Tonico Novaes, o diretor da Campus Party

Conversamos com Tonico a respeito de tendências, expectativas e o futuro de um dos mais importantes eventos tech do Brasil

A décima edição da Campus Party Brasil, a maior feira tech do mundo, acontecerá em São Paulo entre a próxima terça (31) e o domingo (4). Lá, haverá uma variedade de palestras e workshops com grandes nomes nacionais e internacionais (teremos Mitch Lowe, um dos fundadores da Netflix, e Eduardo Kobra, renomado artista brasileiro) além de alguns campeonatos (como Pro Evolution Soccer,  Street Fighter e Just Dance, por exemplo).

Se você ficou curioso e quer saber mais sobre a programação do evento, vale a pena conferir este link.

Para ficar por dentro da genial proposta “eco-tech-friendly” promovida pela marca, conversamos com Tonico Novaes, atual diretor da Campus, sobre as potenciais parcerias e expectativas para os próximos anos do evento. A entrevista, na íntegra, você confere a seguir.

Qual o principal objetivo desta edição?

É difícil falar é um só objetivo, temos vários objetivos, mas acredito que o principal deles é transformar a experiência do campusero em algo mágico, que ele tenha vontade de retornar não só no próximo ano, mas em todas as edições anuais que fazemos pelo Brasil. Por isso esse ano temos trabalhado com campanhas na internet que aproximam os campuseros da organizarão. Uma delas foi a campanha de vídeos que os campuseros gravavam e enviaram para a organização contando como a Campus Party mudou a sua vida. Outra campanha foi a do Vire Um Curador, onde os Campuseros podiam indicar nomes para estarem na grade de conteúdo da Campus Party. Outra campanha foi para decidir o nome da padaria – que será uma novidade na área do camping.

A média de campuseiros têm sido mantida nos últimos anos. Pretendem expandir esse número ou, quem sabe, migrar para outro espaço em breve?

Já temos um plano de exposição em andamento. Em 2017 teremos edições em Brasília (junho) e Minas Gerais (novembro) e já fomos procurados por outras cidades que querem o evento. A Campus Party tem demanda para outras praças. Acredito que esses eventos e o de São Paulo ajudam a fortalecer as demais edições e tornar todos os nossos públicos mais unidos e com um engajamento muito maior com o nosso conteúdo e propósito.

O que um jovem empreendedor que visita a Campus pode encontrar nesta edição de 2017?

Nessa edição de 2017 procuramos dar muita ênfase no Campus Future (local onde as universidades podem trazer seus projetos de inovação), colocando eles dentro da área de empreendedorismo junto com as StartUps. Nosso objetivo é aproximá-los de investidores, aceleradoras, mentorias e etc. Nesse momento de crise, queremos que o legado de unir projetos de inovação de universidades com a sociedade e com empreendedores tenha mais notoriedade. Teremos também algumas palestras focadas em jovens que preferem empreender dentro de suas carreiras nas empresas e não só como novos empresários. Dessa forma o que o jovem pode esperar é um ambiente cada vez mais 360º dentro do empreendedorismo.

O potencial crescimento da Campus de Minas Gerais pode afetar de alguma forma a edição paulista?

Acredito que sim, mas positivamente. Não só a de Minas Gerais, como a de Brasília e a de Recife e até se fecharmos mais alguma praça. Acreditamos que com essas edições conseguiremos ampliar a comunidade de campusero e levar o legado de uma Campus Party para muitas cidades brasileiras. Hoje nosso público é na maioria das vezes formado por universitários que fazem um grande investimento para chegarem numa campus entre custos de ingresso + camping + deslocamento + alimentação + extras… Com essas novas edições temos a possibilidade de atingir muito mais campuseros e fidelizar assim comunidades de tecnologia que antes não atingíamos.

Como você espera que o crescimento dos e-sports afetará a Campus Party?

A Campus Party é mais do que um evento, é mais do que uma feira, é um acontecimento, uma reunião de comunidades, quando as pessoas se juntam a mágica acontece. Todas as comunidades estão presentes: designers, cientistas, desenvolvedores, empreendedores, jogadores, etc. O mundo de games/ e-sports está em profundo desenvolvimento e estamos acompanhando de perto o crescimento desse mercado. A empresa realizadora da Campus Party no Brasil é a mesma que realiza a ESL (maior liga de e-sports do mundo) no Brasil, a MCI Brasil. Dessa forma estamos em contato constante com eles para que possamos trazer conteúdo relevante para os campuseiros [frequentadores da Campus]. Mas sempre respeitando as características da Campus Party.

Como a Campus Party enxerga os aplicativos de serviços compartilhados e essas parcerias? Vocês tem interesse em ajudar a criar ou veem uma tendência nisso?

Muito boa pergunta! Depois da revolução industrial, estamos passando pela revolução da internet, onde o modo de produção está mudando, mas está mudando da maneira correta. Muitas pessoas ainda acreditam no socialismo, enquanto a maioria ainda acredita no capitalismo. Nós acreditamos que o modo do compartilhamento é um sistema que está chegando para ficar. Cada vez menos as pessoas querem ter algo, pois elas podem compartilhar. Exemplos disso sãos aplicativos de mobilidade urbana (Uber e Cabify), de hospedagem (Air BnB e Hotel Urbano), na Europa já existe algumas “bibliotecas” de roupas para pessoas não precisarem mais viajar com malas e poderem alugar roupas durante sua estadia fora de casa e por aí vai… Acredito que cada vez menos as pessoas vão procurar por posses e vão acabar compartilhando bens.

Nós já ajudamos, esse ano Cabify é patrocinador da Campus Party e vai explorar nossos evento para aperfeiçoar suas ferramentas com os Campuseros. Os Campuseros não são as pessoas na casa que detém o poder de compra, mas são as pessoas que detém o poder de influencia, eles quem ditam as regras de tendência, conhecem os gadgets, as tecnologias e podem influenciar tanto suas famílias, como seus amigos.

Sendo um evento basicamente tech, como a crise nacional afeta o mercado? A produção criativa/tecnológica está sendo afetada por isso?

Primeiro que por ser um evento que o ingresso é subsidiado pelos patrocinadores, isso já acaba nos afetando, mas como eu disse no começo, a Campus Party é um evento que as marcas têm que estar presente, pois é a oportunidade de conversar com os jovens sobre as tendências. Entendemos o momento, e acreditamos que todas as empresas entendem o atual cenário econômico do país, mas hoje todos já se reestruturarem e já entenderam o novo momento de crise, então acredito que a partir desse ano todos estaremos mais prontos para enfrentar a crise.

No ambiente de empreendedorismo, como eu disse acima estamos trazendo a oportunidade de empreender nas carreiras e não só através de empresariado, estamos trazendo os projetos de inovação das universidades para perto dos investidores, estamos fazendo com que todos participem ativamente desse ecossistema.

Qual a relação de vocês com as Campus do exterior? Existe alguma conversa entre você e os outros diretores?

A Campus Party Global hoje trabalha como uma master franquia e temos um trabalho muito bom, onde eles nos passam know how e nós por sermos o país com maior numero de edições anuais e maior numero de edições realizadas hoje em dia colaboramos bastante com o trabalho de expansão global deles. Temos conversas diretas com demais diretores de outras edições, converso muito com os diretores da Campus Party Argentina, Mexico, Portugal, Holanda e etc. Trocamos informações e dessa forma conseguimos enriquecer uns aos outros com conhecimento.

Gradativamente, a Campus Party ganhou seu espaço entre outros grandes eventos nacionais e, junto disso, vieram palestrantes de enorme peso para cá — como, por exemplo, Mitch Lowe e Grayson Chalmers. Como vocês lidaram com este crescimento do evento?

Sim, hoje a Campus Party é um evento que já está em calendários oficiais de cidades como São Paulo e acreditamos que ainda estejamos na etapa de crescimento. A marca ainda tem a crescer e acreditamos que estamos no momento ideal para esse plano de expansão. Os nomes internacionais são importantes, mas temos muitos nomes nacionais que estão trazendo conteúdo de muita qualidade e muitas vezes com mais relevância para o campusero do que os internacionais.

Por fim, gostaria que você contasse algo dessa edição pra gente — uma novidade ou curiosidade.

Temos muitas novidades, como a volta da batalha de robôs, ou a pista de Drones, ou a padaria dentro do Camping, ou o controle de acesso através de biometria digital, os palcos onde quem fez a grade foram os próprios Campuseros, o retorno da liberação da pizza dentro da arena… enfim, novidade é o que não falta! Vejo você na CPBR10?