A revolução das vinícolas na Serra Gaúcha

O turismo no nordeste do estado do Rio Grande do Sul mudou depois da abertura de wine bars ao ar livre

 

Don Giovanni Vinho Serra Gaúcha

 (Don Giovanni/Divulgação)

Tardes ao ar livre nos vinhedos, música, vinhos a preço justo (em taça ou garrafa), comidas e petiscos diversos.

Essa é a nova imagem do turismo na Serra Gaúcha, que há anos atrai visitantes por causa dos passeios nas culturas da vinha, mas hoje passa por uma revolução: as vinícolas lançaram espaços nos jardins para quem só quer desfrutar da beleza da região e beber, sem se preocupar ou entender sobre os métodos de produção do que está na taça.

Até os anos 90, a região era famosa pelo vinho tinto e pela mesa farta, típicos da colonização italiana. No fim da década, os produtores começaram a se destacar pelos espumantes, o que chamou atenção de enoturistas.

Criaram-se, então, as visitas às áreas de produção. Embora bem-sucedido, esse esquema esbarrava em limitações: 1) famílias com crianças não tinham opções de passeios; 2) os programas de visitação nas vinícolas eram parecidos (até entediantes); e 3) nem todo mundo tem interesse em saber sobre técnicas, maquinários etc.

Tem gente que só quer beber.

Hoje, o novo clima do turismo também inclui festivais a céu aberto organizados por vinícolas ou pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

Mas, mesmo que não haja um evento especial, você vai se divertir com este roteiro.

 

Open Lounge Geisse

Open Louge Geisse Vinho Serra Gaúcha

 (Open Louge Geisse/Divulgação)

Em Pinto Bandeira, bem na entrada da vinícola, a Cave Geisse colocou as mesas e o trailer/bar. “No começo funcionava como espera”, diz Rodrigo Geisse, filho do enólogo Mario Geisse e responsável pelo departamento de turismo da empresa. “Mas agora muita gente volta só para ficar no Open Lounge.”

Além dos espumantes, considerados os melhores do Brasil, as empanadas Doña Margarita, preparadas pela mãe de Rodrigo, são outra grande atração do wine bar.

Entre os recheios, vale provar a de funghi porcini que o próprio Rodrigo recolhe nas matas da região.

A vinícola oferece ainda um passeio de 4×4 pelas matas e vinhedos da propriedade, com uma parada e um brinde numa cachoeira.

As empanadas Doña Margarita, preparadas pela mãe de Rodrigo, são outra grande atração

 

Miolo Wine Garden

Miolo Wine Garden Vinho Serra Gaúcha

 (Miolo Wine Garden/Divulgação)

Foi pioneiro ali do centro do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves.

Pegou emprestado o conceito de street food das metrópoles e o adaptou à região, com a vantagem da paisagem.

Fica num gramado à beira do lago e ao lado do Lote 43, área do vinhedo que dá origem a um dos vinhos nacionais mais conceituados, o blend de merlot e cabernet sauvignon de mesmo nome.

Paletes com almofadas, espreguiçadeiras, ombrelones e uma tenda com mesas e esteiras se estendem pela grama.

A cozinha funciona em um ônibus adaptado, de onde saem brusquetas, quiches, sanduíches e tábuas de frios, além de vinhos e drinques à base da bebida.

Vez ou outra, um chef é convidado para fazer pratos especiais. Aberto aos sábados e feriados, não há taxa de entrada, mas sim um consumo mínimo de R$ 75.

 

Giardino Dal Pizzol

Giardino Dal Pizzol Vinho Serra Gaúcha

 (Giardino Dal Pizzol/Divulgação)

Os turistas são recebidos no Ecomuseu da Cultura do Vinho, um parque de mais 80 mil metros quadrados, que inclui uma pequena sala de exposição de objetos e garrafas, uma enoteca com vinhos antigos e um restaurante que funciona só com reservas.

A área externa tem lago, animais soltos e uma plantação experimental com mais de 400 variedades de uvas viníferas.

As famílias com crianças já tinham uma predileção pelo local. “As pessoas podiam comprar uma garrafa de vinho e beber no jardim”, diz Antonio Dal Pizzol, sócio da vinícola. “Mas sentiam falta de ter o que comer.”

Eles começaram servindo um piquenique e organizando festivais de música. Para os eventos, a vinícola convidava o food truck Estação Blauth, um bar/bistrô de Farroupilhas.

A parceria deu tão certo que se transformou em uma atração nos fins de semana e feriados.

O bistrô montou uma cozinha e um bar em um contêiner no jardim: assim nasceu o Giardino.

Além de drinques e vinhos da casa, dá para pedir batata rústica, hambúrguer, massas, risotos, pizza e até pratos mais elaborados, como o boeuf bourguignon.

Tudo preparado pelo chef Fernando Bertini, formado na Itália.

 

Wine Movie Peterlongo

Wine Movie Peterlongo Vinho Serra Gaúcha

 (Wine Movie Peterlongo/Divulgação)

A vinícola luta contra a má fama adquirida nos anos 70 com a produção do Espuma de Prata.

Mas hoje conta com grandes espumantes (foi uma das primeiras a produzir a bebida pelo método tradicional no Brasil, o mesmo dos champanhes no início do século 20) e bons tintos.

A família que fundou a vinícola deixou um palacete no centro de Garibaldi, conhecido como Castelo Peterlongo.

Ali, são oferecidas sessões de cinema ao ar livre com bar de vinhos, food truck e, nos intervalos, música ao vivo.

O programa ainda inclui uma visita ao museu.

A vinícola está retornando agora aos tempos de glória, aproximando-se do público jovem.

 

Don Giovanni

Don Giovanni Vinho Serra Gaúcha

 (Don Giovanni/Divulgação)

Esta vinícola, localizada em Pinto Bandeira, prova que dá para investir em atividades ao ar livre mesmo quando não há exatamente um wine bar montado.

O turista pode agendar uma caminhada pelos vinhedos, acompanhada de guia, que termina com um brinde ao pôr do sol em um mirante no meio da plantação.

O passeio pode ser parte da visita à vinícola, que é também uma pousada, ou ainda feito separadamente.

Ele não inclui comida, mas não é longo, dura uma hora. Na volta, há a possibilidade de jantar no restaurante da hospedaria.

 

Hospedagem na Serra Gaúcha deve ser pensada de acordo com seu roteiro

A Serra Gaucha é o maior e mais bem estruturado destino de enoturismo do Brasil. A rede hoteleira é bastante grande, muito diversificada e espalhada pela região. Quando planejar sua viagem, considere bem a localização que mais convém a seus objetivos.

Bento Gonçalves é o centro da região vinícola. Cercada por vários distritos produtores de vinhos, a cidade respira o clima do enoturismo, apesar de ser um centro urbano razoavelmente grande, com 115 mil habitantes e outras indústrias fortes além da vinícola. É uma ótima opção para quem pretende visitar um bom número de sub-regiões. De lá, se tem acesso fácil a vários destinos. A cidade inclusive conta com serviço de Uber, algo muito útil para quem pretende passar o dia bebendo.

No centro de Bento Gonçalves, está o hotel Vinocap, próximo a restaurantes e bares. Com quase 50 anos de idade, possui 118 apartamentos, a maior parte deles completamente renovados. O atendimento é super simpático e o café-da-manhã muito gostoso.

Ótima opção para quem passa o dia visitando vinícolas e quer uma cama gostosa e um bom chuveiro à noite. As diárias custam a partir de R$ 200. Telefone para reserva: (54) 3455.7100,

Em Bento Gonçalves, aproveite para visitar a Vinícola Aurora, que fica dentro da cidade. É a maior e uma das mais tradicionais vinícolas do país.

Por mais bem localizado que esteja, no entanto, você não vai conseguir visitar todas as sub-regiões da Serra Gaúcha e muito menos todas as vinícolas, nem mesmo todas as mais importantes. No Cobo Wine Bar (54 3701-2333),  você encontra um ótima variedade de vinhos vendidos por taça. Há um rodízio de rótulos.

A casa oferece sempre também um flight com provas de três vinhos diferentes. Só nessa, já se tem contato com o trabalho de três vinícolas.

Pinto Bandeira é considerado o melhor terroir do Brasil para espumantes. O município, que até há bem pouco tempo foi distrito de Bento Gonçalves, é bastante rural e tem uma natureza bastante bonita.

No censo de 2016, tinha menos de 3 mil habitantes. por lá, não temmuitas opções de hospedagem, mas há uma pousada muito charmosa: a Don Giovanni. Na verdade, trata-se de uma vinícola, ótima, por sinal, que tem uma pousada.

As diárias variam de R$ 450 a R$ 700. Pela diária mais cara, você se hospeda em uma casinha no meio dos vinhedos. Os outros apartamentos ficam no casarão principal, construído em 1930.

A diária inclui café da manhã, visitação à vinícola, degustação dos vinhos da casa e 10% de desconto na compra de garrafas. Quem se hospeda aí deve reservar ao menos um dia para passar na pousada. ideal para quem quer relaxar.

Eles têm também um bom restaurante. O cardápio harmonizado sai por R$ 130 por pessoa. Inclui salada, risoto de alcachofra, frango com passas de uvas viníferas, cebolas, batata com alho e alecrim e cassata com figo e calda de espumante. Cada prato é acompanhado de um vinho diferente. Telefone para reservva: (54) 3455.6294.

Na estrada, perto da entrada da Don Giovanni, está o Champenoise Bistrô (54 9660-3382) que vale muito a visita. O restaurante trabalha só com ingredientes locais, orgânicos e sazonais. Segue a filosofia do Slow Food.

Uma das sócias, Marina Santos, é proprietária e enóloga da cultuada Vinha Unna, uma interessante experiência com vinhos naturais no improvável terroir da Serra Gaúcha. O restaurante tem uma ótima carta de vinhos da região.

Uma cidade pequena, quase média, com pouco mais de 30 mil habitantes, Garibaldi também vive em torno do enoturismo. Por lá há várias vinícolas, algumas inclusive dentro da área urbana. Há a Maria Fumaça. Por ser menor, conserva mais construções antigas. Numa delas, está o Hotel Casacurta.

Fundado em 1953, mantém a estrutura original, mas hoje tem equipamentos e serviços de um hotel de charme. Uma ótima opção para quem quer viver o clima de cidade do interior que tem Garibaldi.  A diárias custam a partir de R$ 315. Telefone para reservas: 54 3462.2166