Passamos 24hs na suíte reservada a reis e astros do rock no Rio

O melhor quarto do Brasil fica no Copacabana Palace e têm diárias que chegam a R$ 8 mil por noite

 

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

“Desculpe, senhor Nogueira, não o reconheci de barba.” A frase veio de David, recepcionista que cuidou do meu check-in no Copacabana Palace e me atordoou um pouco.

Eu nunca o havia visto antes. “Nas fotos que pesquisamos, o senhor estava barbeado”, prossegue o funcionário do hotel para justificar a demora de alguns segundos para localizar a reserva do meu quarto.

Quarto, uma vírgula.

Eu me hospedei na Suíte Cobertura de número 603, uma das seis acomodações com vista para o mar do sexto andar do Copa.

São os melhores apartamentos do hotel e, possivelmente, também do Rio de Janeiro e do Brasil.

Cada uma dessas suítes tem cerca de 100 metros quadrados (a área do imóvel em que moro), todas ligadas por portas, podendo virar um gigantesco espaço contínuo.

Essa é a configuração escolhida por celebridades e chefes de Estado que “fecham” o andar para eles e seus séquitos.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

A lista de hóspedes ilustres é longa: Santos Dumont (1928), Henry Fonda (1939), John Wayne (1952), Ozzy Osbourne, Iron Maiden e meio Rock in Rio (1985), princesa Diana (1991) e The Police (2008), entre muitos outros.

Durante a minha estadia, o sexto andar tinha apenas dois ocupantes, eu mesmo e Joseph Blatter.

Estávamos na Copa das Confederações, e boa parte do hotel era reservada à entourage da Fifa e suas malas Louis Vuitton.

Como efeito colateral da presença do chefe máximo do futebol, a porta do elevador da cobertura era permanentemente vigiada por meia dúzia de policiais federais em ternos pretos.

A guest relations Bianca me conduziu através da guarda de Blatter ao aposento, cuja diária é cotada em R$ 7 829, já inclusos todos os impostos e taxas.

Fui imediatamente atraído para o terraço com vista para a Praia de Copacabana, espreguiçadeiras, mesa e uma área de aproximadamente 36 metros quadrados (a mesma do apartamento em que morei ao sair da casa dos meus pais).

Copacabana Palace

 (BLTA/Divulgação)

A suíte é dividida em três ambientes principais de tamanhos semelhantes. O quarto propriamente dito fica no centro: tem cama king-size com dez travesseiros de tamanhos e materiais diversos, além de um iPad para uso do hóspede.

À esquerda de quem entra, o banheiro também é a área do enorme closet. Há duas pias com duas amplas bancadas de mármore em paredes opostas e banheira com vista para o mar.

A área à direita é para receber visitas e trabalhar, equipada com sofás e uma escrivaninha. No canto, há um lavabo e as bebidas.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

Frigobar e adega merecem um parágrafo próprio. A pequena adega tem 12 garrafas que totalizam R$ 12 836 na conta de quem abusar do saca-rolhas Le Creuset.

O rótulo mais barato é o chileno Toknar 2007, um tinto da uva petit verdot, cotado a R$ 623; o mais caro, o Barbaresco 2004 da vinícola piemontesa Gaja, vale R$ 1 804.

O frigobar guarda uma meia-garrafa de champanhe Moët & Chandon a R$ 195 e água francesa Evian a R$ 19.

Em vez de miniaturas de plástico, o uísque vem em garrafas de 750 ml. A de Johnnie Walker Blue Label – abriu, pagou — custa R$ 1 350.

Todos os ambientes são decorados com objetos de arte e de design. Os roupões, as toalhas e os sais de banho são da italiana Trussardi.

Também italianos, xampus, cremes e outros cosméticos têm a grife Bulgari — incluindo um sabonete no espaço reservado que só tem o vaso sanitário e uma ducha higiênica.

Eu tinha tudo de que precisaria, menos a trena para tirar as medidas da suíte, uma das minhas missões no Copa. Era hora de acionar o mordomo.

O serviço de mordomo talvez seja o maior diferencial das suítes do sexto andar. Nas 24 horas em que permaneci no Copa, fui atendido por três deles: o mineiro Juliano, o carioca Marcos e o português Paulo.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

Como todos os outros funcionários do hotel, eles tratam o hóspede pelo sobrenome até ordem em contrário (e retomam a formalidade nos contatos seguintes).

Suas funções incluem reservar jantares, arrumar as coisas do patrão temporário — deixei uma bermuda sobre a cama, saí, voltei e a encontrei dobrada no closet— e providenciar pedidos como a minha trena ou, digamos, pratos de um restaurante que não tenha serviço de entrega.

Mas há quem peça algo mais. “Um indiano que veio com a esposa fez o mordomo raspar-lhe as costas”, contou uma funcionária.

Segundo ela, a bagagem do casal continha roupas e brinquedinhos bastante exóticos. Quanto à minha trena, ela chegou em poucas horas. Num quarto tão grande e em mãos tão inábeis, foi um objeto inútil.

Um casal pode passar dias sem sair de uma suíte dessas. Sozinho, senti a necessidade de explorar os arredores e falar com alguém sobre a experiência única que eu estava vivendo.

Comecei pela piscina da cobertura, de pastilhas pretas e exclusiva para os hóspedes do sexto andar, com vista para a piscina dos plebeus lá embaixo.

Copacabana Palace

 (Pinterest/Reprodução)

Como o Blatter não estava lá para bater um papo, saí rapidinho.

Tampouco conversei com alguém no spa, onde a massagem aroma quente (R$ 280 por 60 minutos) — descrita como “movimentos lentos e pressões em zonas tensas e doloridas com óleos aquecidos” para o “alívio do estresse acumulado no dia a dia” — me fez dormir profundamente.

Mais tarde, no salão em que meia dúzia de pessoas bem-comportadas assistia à partida entre Brasil e Uruguai, todos estavam compenetrados nos lances do jogo.

A cada gol do Brasil, a comemoração se limitava a soquinhos no ar, bem contidos, e gritos sussurrados, se é que tal coisa existe.

Resignado ao silêncio, tomei um dry martini no bar à beira da piscina e voltei à suíte.

Tinha um jantar marcado no Cipriani, um dos restaurantes mais sofisticados do Brasil, que conta com uma mesa dentro da cozinha para que os hóspedes gourmets acompanhem (a R$ 500 por pessoa) o trabalho do chef italiano Nicola Finamore.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

Precisava me vestir para o programa noturno, mas sem exageros. Um impresso do hotel pede delicadamente, quase timidamente, que os hóspedes frequentem o restaurante calçando sapatos, não sandálias de dedo.

Um lembrete agradável de que, apesar de todo o luxo ao redor, ainda estamos em Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil.

 

Copa além do Copa

Dicas de Jardel Sebba, ex-editor da Playboy e copacabanense

Adega Pérola Adega Pérola, fundada em 1957, é considerada um patrimônio da cidade.

Adega Pérola, fundada em 1957, é considerada um patrimônio da cidade. (Pinterest/Divulgação)

*Confeitaria Bonis

O melhor rissole de camarão de bairro, tem salgados de respeito, um mercadinho com pães, doces e bebidas. Av. Nossa Senhora de Copacabana, 574, lj. A

*A Polonesa

Único restaurante polonês do Rio, um cubículo escuro, tem um estrogonofe memorável e um suflê de chocolate indescritível. Rua Hilário de Gouveia, 116. Tel.: (21) 2547-7378

*Adega Pérola

Cerveja e um enorme sortimento de petiscos no balcão. Aos mais aventureiros, os rollmops são rolinhos de sardinha crua com cebola, muita cebola. Rua Siqueira Campos, 138 A. Tel.: (21) 2255-9425

*O Caranguejo

Os garçons não são exatamente simpáticos, e descolar uma mesa pode ser uma batalha, mas a empadinha de camarão vale o esforço. Rua Barata Ribeiro, 771. Tel.: (21) 2235-1249

 

 

Copacabana Palace para os não-ricos

Hospedar-se na suíte cobertura é uma extravagância, claro.

Ficamos lá para mostrar o que um hotel tão icônico tem de melhor.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

Há, entretanto, outras formas de curtir o Copacabana Palace sem precisar ganhar na loteria.

Nunca é barato, mas vale a pena em ocasiões especiais.

 

*Investimento $$$

Reserva com antecedência: a tarifa-balcão do apartamento mais básico do Copa é R$ 1 490, mas esse valor pode cair para cerca de R$ 1 000 se a reserva for feita alguns meses antes.

Leve em consideração que você vai para o Rio de Janeiro: o hotel Ibis Copacabana, a poucas quadras dali, cobra R$ 400 numa diária.

E saiba que a mesma tarifa vale para apartamentos de tamanhos que podem variar bastante, então ligue para pedir o mais espaçoso possível mesmo que a reserva tenha sido feita online.

Day use: você não vai pernoitar, precisa deixar o quarto às 20h.

Mas na tarifa de R$ 1 180 para um casal estão incluídos um almoço no restaurante Pérgula (para você ter uma ideia, os pratos principais custam a partir de R$ 58) e uma massagem shiatsu (R$ 295), sapucaí (R$ 145) ou relaxante (R$ 260), além do uso da piscina, do serviço de praia e da quadra de tênis.

Copacabana Palace Bar do Hotel. Por lá são servidos alguns dos melhores coquetéis do país.

Bar do Hotel. Por lá são servidos alguns dos melhores coquetéis do país. (Copacabana Palace/Divulgação)

 

*Investimento $$

Almoço ou jantar: o restaurante Pérgula é o menos caro.

Com 10% de serviço, um casal gasta cerca de R$ 300, sem vinho. No Cipriani, o menu-degustação (quatro etapas), com vinho incluso, custa R$ 352.

Na carta, a cavaquinha com risoto de limão-siciliano é o prato mais caro: R$ 120.

 

*Investimento $

Drinque na piscina: nem o maior zé-ninguém do planeta seria barrado ao entrar de chinelo e bermuda e se dirigir à piscina — afinal, pode ser um magnata excêntrico hospedado no sexto andar.

Copacabana Palace

 (Copacabana Palace/Divulgação)

Então, não hesite em dar uma passada rápida no bar do restaurante Pérgula para tomar um dry martini (R$ 27) ou uma cervejinha (R$ 12) e se sentir rico por meia hora.


Matéria publicada originalmente na edição 341 da revista VIP

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