Por que viajar para a Islândia, um país do outro mundo

Gêiseres, campos de lava, icebergs e glaciares. Junte tudo isso a doses de design, arte e gastronomia. Fato: a Islândia é diferente de tudo que você já viu

 (Flickr/Reprodução)

Os 45 minutos que separam o Aeroporto Internacional de Keflavik da capital Reykjavik são um presságio do que está reservado aos forasteiros. Para qualquer direção, o que se vê é uma imensidão inóspita.

Não há skyline, arranha-céus ou vestígios de civilização: o horizonte é preenchido por ondulações basálticas moldadas por neblina. O cenário mais familiar a que remete é a superfície da Lua.

Cercada pelas águas gélidas do Atlântico Norte, a Islândia tem vulcões (muitos em atividade), campos de lava, termas de águas borbulhantes, fiordes, gêiseres que lançam jatos de água a 20 metros de altura, lagos pipocados de icebergs…

Tudo isso concentrado em uma área de 103 mil quilômetros quadrados – pouco maior que Pernambuco.

Mais: aqui está o maior glaciar da Europa, o Vatna, com 8 mil metros quadrados e uma das estrelas de Game of Thrones. Foram gravados no país, inclusive, a batalha entre Bienne e Houd e os encontros amorosos de Jon Snow e Igritte.

 

Dias gélidos

 (VIP/Divulgação)

Nessa terra de origem viking, onde a temperatura média anual não passa dos 4 graus (nos meses mais quentes ela pode bater os 15 graus), o sol não se põe nunca durante o verão – é o chamado sol da meia-noite.

No inverno, acontece o contrário. Conta-se nos dedos (de uma mão) as horas de luz, e elas geralmente se concentram perto do meio-dia.

Entre uma estação e outra, no outono, a natureza brinda com um espetáculo: a aurora boreal. A despeito de seu tamanho diminuto, na Islândia é tudo grandioso e dramático. Poucos lugares têm tanto potencial para surpreender.

Esqueça os estereótipos associados às grandes metrópoles do mundo. A capital mais ao norte do planeta foi construída à medida do homem e é recheada de casas baixas e coloridas.

Rua principal tem apenas uma: a super cool Laugavegur, onde estão concentradas as lojas mais descoladas e o melhor da cena artsy local.

Seu coração bate mais forte nos arredores do píer – e dentro dos muitos cafés e bares, verdadeiras instituições locais. Boa opção de hospedagem é o Black Pearl (blackpearlreykjavik.com/ diárias a partir de US$ 501), um cinco estrelas com um quê de flat.

Pergunte a um islandês onde encontrar a verdadeira alma de seu país e ele não vai ter dúvidas em responder: pulando de bar em bar noite adentro (ainda que a noite pareça dia nos meses mais animados do ano).

Décor, arte e cultura são assuntos levados a sério por aqui. A Islândia é o país que mais publica livros per capita do mundo.

A casa da orquestra sinfônica e da ópera, chamada Harpa, é uma atração imperdível – trata-se de um dos edifícios mais icônicos da capital, dono de uma impressionante fachada que joga com painéis de vidro côncavos e convexos.

Entre os seus idealizadores está Olafur Eliasson, um dos principais nomes da arte contemporânea escandinava no mundo.

Harpa O edifício Harpa, casa da orquestra sinfônica e da ópera.

O edifício Harpa, casa da orquestra sinfônica e da ópera. (VIP/Divulgação)

Há bons museus de fotografia e arte moderna incontornáveis. E, por todo lado, comprova-se que a cena do design nórdico que tanto caracteriza os escandinavos também dita as regras por aqui.

Em outras palavras: um simples brunch pode ter ares de locação de revistas hype  como a Cereal ou a Kinfolk.

 

Despertar gastronômico

Na seara da gastronomia, a Islândia vive um boom sem precedentes. Pela primeira vez, o país teve um restaurante, o Dill, premiado com uma estrela Michelin na edição de 2017 do guia.

Na prática isso significa que, além da deliciosa sopa de lagosta e do duvidoso tubarão fermentado, duas iguarias adoradas pelos locais, é possível se entregar a menus-degustação nos quais os pratos mais parecem obras de arte.

No Dill (dillrestaurant.is), o chef Ragnan Eiríksson mescla ingredientes como filé de cordeiro, aipo e tomilho ou foie gras, avelãs e uma fruta local chamada hippophae.

No Grillid (grillid.is), as receitas modernas à base de ingredientes locais têm uma concorrente de peso: a bela vista em 360 graus que se descortina do salão, no topo do hotel Saga.

Outro endereço imperdível é o hostel Kex (kexhostel.is). Ponto de encontro de locais e turistas, tem um ótimo bar. Mas o que brilha mesmo é a cozinha do gastropub Saemundur í Sparifotunum.

Ali, delícias como o hambúrguer com queijo Ísbúi e maionese de cebolas caramelizadas (2 690 ISK ou € 21) podem ser servidas no balcão de azulejos ou nas mesas ao ar livre.

Casa de 170 mil habitantes (dois terços da população islandesa), Reykjavik é a principal base para explorar o resto do país.

A partir dali, pequenas distâncias de carro conduzem a paisagens espetaculares. O ponto de partida é sempre a Ring Road, estrada de pouco mais de 1 300 quilômetros de extensão que contorna toda a ilha.

É ela que leva à Lagoa Azul, uma terma rica em sílica que é um dos postais mais famosos da Islândia, com águas a quase 40 graus, a menos de 40 quilômetros de distância da capital; ao Shokkur, no Vale de Haukadalur, um dos mais famosos e poderosos gêiseres do mundo; à impressionante Cachoeira Gullfoss; ou à Jokulsárlón, uma imensa lagoa repleta de icebergs que é das paisagens mais arrebatadoras da ilha.

Lagoa Azul A Lagoa Azul, localizada a menos de 40 quilômetros de distância da capital Reykjavik.

A Lagoa Azul, localizada a menos de 40 quilômetros de distância da capital Reykjavik. (VIP/Divulgação)

Talvez o maior fascínio sobre a Islândia resida na sua localização: longe de tudo, no meio do nada. Nessas condições, o natural é desconcertante. E a sensação é a de que, afinal, o mundo não é exatamente como imaginávamos.

 

Manual de sobrevivência 

Dinheiro
A Islândia é um país caro. A moeda é a coroa islandesa (€ 1 = 124 ISK). Por não fazer parte da União Europeia, o euro não é aceito no dia a dia.

Documento
Brasileiros não precisam de visto. O país integra o Espaço Schengen, que garante a circulação de turistas por até 90 dias.

Idioma
O islandês é ilegível – falado e escrito, pois o país tem alfabeto com símbolos próprios. Mas dá para se virar com o inglês. 

Transporte
O transporte público deixa a desejar. Em Reykjavik, é possível explorar a cidade a pé ou de táxi. Para conhecer o interior do país, alugue um carro.

 

Playlist local 

A Islândia é um famoso celeiro musical que o mundo só foi conhecer no final dos anos 80, com a banda de rock alternativo The Sugarcubes.

Sua vida foi curta, mas a vocalista Björk sobreviveu para contar sua história ao ritmo de rock, eletrônica, folk e jazz. Ainda hoje ela é a maior referência da ilha, mas está mais bem acompanhada do que nunca.

Entre os sons que merecem ser explorados estão o folk rock da banda Of Monsters and Men, os acordes minimalistas das bandas Sigur Rós e Múm e a batida eletrônica de GusGus.